Brasileira cria comunidade para ensinar programação para mulheres

0
programação para mulheres

Existe um déficit de mão de obra qualificada na área da programação. E há outro, ainda maior, de mão de obra feminina. Apesar de elas terem uma longa história na tecnologia, atualmente as mulheres representam apenas 12% dos profissionais no mercado de TI. A aparente falta de interesse, na verdade, é justificada pelo preconceito e machismo que ainda permeiam muitas profissões. Foi pensando nisso que a estatística Gabriela de Queiroz criou uma comunidade para ensinar programação para mulheres.

Além das fronteiras

Gabriela de Queiroz emigrou para os Estados Unidos em 2012 com pouco dinheiro, mas muita vontade de estudar, pesquisar e se qualificar como cientista de dados. Ela é formada em estatística na UERJ e mestre em epidemiologia pela Fiocruz. Para retribuir a formação gratuita, decidiu criar uma comunidade para ensinar programação para mulheres. O projeto, chamado R-Ladies, hoje está presente em 145 cidades, de 45 países, atendendo cerca de 43 mil pessoas.

Uma linguagem pela igualdade

“R” é o nome da linguagem de programação que a comunidade criada por Gabriela ajuda a disseminar entre as minorias de gênero na área de tecnologia. Ela foi criada por programadores da Nova Zelândia e nos últimos anos está sendo cada vez mais usada para o trabalho de análise de dados, em substituição a outras linguagens de programação que não eram de código aberto, como SAS e SPSS.

Entre as principais diferenças das linguagens de código aberto e fechado estão os softwares e programas usados. No caso das linguagens de código aberto, eles são de graça, e podem ser melhorados pelos próprios usuários. Por isso os programadores juntam em comunidades para trocar experiências e se ajudar . Nos últimos anos, os softwares voltados ao R foram adotados oficialmente por mais empresas. Isso aumentou a demanda de profissionais da estatística e de outras áreas que tenham domínio da linguagem.

Reconhecimento, suporte e indicação a prêmio

A iniciativa da comunidade que de formação de programação para mulheres ganhou repercussão, reconhecimento e apoio. Isso porque em 2016 o projeto foi selecionado por um consórcio de Londres e ganhou suporte financeiro. Foi o que fez o grupo crescer e chegar aos números que tem hoje.

Além disso, a contribuição com o tema “diversidade de gênero” trouxe para o projeto a indicação ao prêmio Women in Open Source. A brasileira é finalista da 5ª edição da premiação, dedicada a reconhecer mulheres líderes na cultura do código aberto. O resultado vai ser divulgado em maio.